quinta-feira, 15 de maio de 2008

Top 10 das Férias

Roubando a idéia do David Letterman e do blog do Bruno, resolvi fazer um top 10.

Top 10 - Coisas que eu tenho/quero que fazer nas férias
(10 most important things that I need/want to do on vacation)

10. Receber quem vier visitar a Júlia

9. Perder peso

8. Estudar sobre .Net, objective-C, CMM, CMMi, ITIL e outros

7. Cotar notebooks (quem sabe um MacBook?)

6. Visitar o dotô

5. Jogar Wii

4. Dar uma sapiada no mercado de trabalho

3. Expulsar os amigos chatos que ainda não foram embora

2. Levar o Felipe ao dentista

(And the most important thing that I have to do on vacation is)

1. Trocar fraldas


PS: Para os animais que não viram sexo na lista acima, vão pesquisar sobre resguardo...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quem Precisa de Fidelidade?

A palavra fiel quase sempre acaba remetendo a duas coisas: cachorro (o animal mesmo) e marido otário. A maioria das pessoas me bota nessa segunda categoria. Mas se eu mudar a palavra para leal, a coisa começa a mudar. E, se perguntar pra todo mundo sobre sinceridade, a maioria responde que é "sincero, sim senhor"! Pois, se você é sincero, como é que consegue mentir descaradamente para sua mulher, hein? (a pergunta também vale pras mulheres que mentem pros maridos.)

Voltando a fidelidade. Acho infidelidade uma das coisas mais idiotas e causadoras de hipocrisia do mundo. Você trai uma pessoa que deveria amar, respeitar e confiar e, depois, tem a cara-de-pau de reclamar que o governo mentiu pra você, de resmungar porque seu chefe não deu sua merecida e prometida promoção, de falar que a igreja não te traz a paz espiritual que tanto prometeu. Como alguém sujo e traiçoeiro como você tem a audácia de dizer que os outros não prestam, hein? É muito fácil apontar o dedo pros outros e dizer que eles não valem nada enquanto você não consegue guardar seu pinto na cueca e respeitar a única pessoa que talvez te apóie até o dia de sua morte.

Essa balela de homem tem necessidades diferentes pra mim não cola. E, se você realmente acredita nisso, SEJA HOMEM e abre o jogo. Se você não consegue contar a verdade pra sua mulher, você não passa de um rato! Um rato traíra. Ah! E eu queria mesmo ver sua cara se a sua mulher chegar pra você e disser que ela acha certo você sair com outras mulheres, só que ela também gosta de sair com outros homens...

É estranho ver o quão orgulhosas as pessoas são ao cometer erros e, ao mesmo tempo, achar absurdo quando outros o fazem. Trair, supimpa; ser traído, horrível. Furar fila, legal; alguém furar na sua frente, chato. Se o mundo tá horrível, cheio de babaquice e maldade, você não acha que tem parte nisso? E que tal começar a melhorá-lo tratando com respeito as pessoas que você ama e com quem convive, hein?

PS: Esse é artigo é destinado para as pessoas que têm algum apreço para com suas mulheres. Se você tá vivendo com alguém que não suporta, você está traindo ela e você. Parte pra outra e viva e deixe viver.

PS(2): O artigo também vale para mulheres, gays, lésbicas, pansexuais e etc. Se você não consegue adaptá-lo a você, tá no blog errado.

PS(3): O artigo tá direcionado para monogâmicos, mas dá pra adaptar também. Porque se todo mundo envolvido acha legal e está ciente da poligamia, não é traição nem infidelidade...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Analogia é uma Merda

Eu gosto de analogia tanto quanto um rato gosta de queijo. Mas ela é perigosa, muito perigosa, tão perigosa quanto dizer que sua mulher engordou quando ela está de TPM. A analogia pode ser útil para explicar, de maneira didática (às vezes infantil), sobre algo que o interlocutor não entenda nada. Ou pode ser inútil como um monte de engenheiro numa plantação de arroz.

A analogia é tão fantástica quanto a invenção da maçaneta. Você pode comparar tudo com qualquer coisa e sempre alguém vai entender. Mas é aí que está o problema. Nem sempre a pessoa entende o que se deseja. Nesse ponto, a analogia é uma merda.

"O Jardineiro é Jesus e as árvores somos nós."
Acho que todo mundo já viu essa, não? Se espalhou pela internet através de um vídeo do youtube. Tirando a parte escrachada, é até uma analogia interessante pra quem acredita em Jesus, na Bíblia e tal. Mas aí eu me lembrei que José, o pai humano de Jesus, era carpinteiro. Isso significa que ele precisava de árvores derrubadas e "mortas" para exercer o seu ofício. E se nós somos as árvores...

"O rio atinge seus objetivos, pois aprendeu a contornar obstáculos."
E que raios são os objetivos do rio? Desaguar no mar e sumir? Entrar numa cidade grande e ser totalmente poluído, como o Tietê? Ou é aceitar tudo que fazem com ele, se adaptando para não criar atrito?

"A vida é como uma transação de banco de dados, mas sem rollback."
Opa, muito boa essa, mas só pra quem entende um pouco de banco de dados. E, mesmo dentre esses, alguns não vão entender. Como tem gente desprovida de inteligência por aí, viu?

"Uma vida vazia é como um rio seco. Mas uma feliz e cheia de amor é como um rio que transborda."
Um rio que transborda faz um montão de gente perder tv, carro, tapete, coleção de tampinhas e o estoque de papel higiênico. Uma vida feliz é assim? Tem algo errado aqui... Acho que uma vida feliz é um rio que não está transbordando nem seco.

"O amor é como um programa cheio de gambiarra. Se você não cuidar dele direito, ele dá tanto pau que vira ódio."
Entenderam que analogia pode ser uma merda, né?

"Se esforçar para postar algo no blog com freqüência é tão bom quanto gritar 'salve Lula' no meio de um protesto anti-PT."
Deu pra entender, né?

terça-feira, 11 de março de 2008

Eu sempre tenho uma opinião contrária

É isso aí, eu sempre tenho. SEMPRE. Se você torce pro Palmeiras, eu torço pro Corinthians; se você gosta de doce, eu gosto de salgado; se você acha bom estar vivo, eu preferia estar desfrutando das 72 virgens que terei direito quando morrer; se você acredita na vida eterna, eu acho que tudo vai acabar em breu; se você se acha um idiota por estar lendo isso... bom, QUASE sempre eu tenho uma opinião contrária.

O motivo inicial era nobre. Aprendi há muito tempo, com outro cara que também fazia isso, a ter esse tipo de postura pra gerar discussões saudáveis, pra tirar o melhor que os outros tinham e para fortalecer meus argumentos. Afinal, como eu vou entender mais sobre um assunto conversando com alguém que concorda em tudo comigo? Então, pra garantir que sempre haveria discordância, eu discordava de tudo - ou quase tudo. Assim eu ficaria mais sábio, meus argumentos seriam mais fortes e, de quebra, aumentaria minha agilidade mental. E, inocentemente, acreditava que meu interlocutor também gostaria dos mesmos benefícios e até me agradeceria por isso. Santa inocência.

Mas eu não contava com uma coisa: a falta de tolerância e o excesso de ignorância. Descobri, de forma amarga, que nem todas as discussões são saudáveis, que as pessoas não gostam que se tire o melhor delas (principalmente porque a maioria não tem nada de bom) e não é possível fortalecer argumentos conversando com idiotas fanáticos falastrões futriqueiros fedorentos e filhos*******! Resultado: ao invés de ser um sincero sábio saudável, eu sou um coxeante chato carrancudo. O coxeante é porque meu fêmur nunca mais foi o mesmo depois de uma dessas "discussões saudáveis"; O carrancudo é porque me irritei com tudo e agora sim eu tenho uma opinião não só contrária, mas destrutiva de tudo; O chato... bem, acho que é predisposição genética.

Agora meu lema é "Vim para Semear a discórdia". Discordo só pelo prazer de irritar e procuro ao máximo nem ouvir nem aproveitar nada do que os outros falam. Obviamente que minha roupa é feita de Kevlar e eu sempre ando armado com uma faca ginsu, um .38, 1 granada de mão, 3 seguranças (devidamente apelidados de Stallone, Schwarzenegger e Terry Crews) e um cd mixado de funk, pagodão e axé, prontinho pra liquefazer o cérebro do agressor e transformá-lo num vegetal. Desisti de tentar argumentar com inteligência e agora parto pra porrada (na verdade, eu só dou as ordens pros armários) e ganho a discussão no tapa (e murros, chutes, cotoveladas, tacadas de baseball, etc.).

E se você concorda com algo, me avisa, porque devem ter rackeado meu blog. Porque, com certeza, eu não concordo com você.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Pára de puxar minhas cordinhas, maldito!

Você já teve a sensação de que sua vida é regida por algum titeriteiro sádico, que fica puxando suas cordinhas como se você fosse um fantoche criado unicamente para tornar a vida dele mais divertida? Já imaginou que por mais que se esforce sua vida não vai ser diferente do que foi escrito dela por um escritor que nunca gostou muito de você, um personagem coadjuvante de um filme de terceira? Já se imaginou nadando contra a correnteza com todas as suas forças, mas o destino (eu prefiro titeriteiro maldito) aumenta a força dela e te empurra de volta para o curso original do rio da vida? Bom, eu imaginei. Mas isso nunca foi o bastante pra mim. Eu precisava de provas e fui atrás delas.

Comecei com o mais básico. Toda vez que eu passava em frente de um espelho, ficava olhando de rabo de olho pra ver se alguma cordinha aparecia. Às vezes eu ia andando como quem não quer nada e, de repente, olhava rapidamente para o espelho. Mas isso só me rendeu situações de ridículo extremo, como quando tive que fugir antes que a ambulância do manicômio chamada pelo rapaz da lanchonete chegasse. Não os culpo. A lanchonete era toda decorada de espelhos e eu fiquei encarando todos eles como se tivesse alguém do outro lado...

Mas eu não desisti. Um dia, quando eu estava quase chegando ao ponto, o ônibus que sempre passa 10 minutos atrasado passou 1 minuto adiantado! Não era possível. Eu sabia que tinha alguém brincando com o meu destino e reagi automaticamente. Passei instintivamente a mão por cima da minha cabeça, mais ou menos onde ficaria o topo de um chapéu caso eu estivesse usando e, para minha surpresa, minhas mãos trombaram com grossos fios de nylon invisível! Não pensei mais (tudo bem, eu já não estava pensando antes). Agarrei os fios e puxei com todas as minhas forças e CATAPLOFT! Diante dos meus olhos um cara se estatelou no chão.

Ele ainda estava no chão, todo descabelado e com uma cara de surpresa de quem descobriu que o amante da mulher é o pai, quando eu apontei meu indicador pra ele, reuni toda minha capacidade intelectual e, gritando, fiz a seguinte e super-inteligente pergunta: "É VOCÊ?". Ele fez uma cara de interrogação e resmungou: "hã?". Botei meus neurônios para trabalhar e reformulei a pergunta para uma forma mais direta e instigante: "EU PERGUNTEI SE É VOCÊ?" Não sei se foi o medo de apanhar ou se ele não queria mais meus perdigotos voando pela sua cara, mas, para minha surpresa, ele respondeu. Deu um suspiro longo enquanto se levantava e ajeitava o cabelo e falou "sim, sou eu".

FINALMENTE! Eu encontrei o maldito titeriteiro que brincava com minha vida. O roteirista de merda que ficava fazendo piadinhas sem graça com o meu trabalho. O figurinista de incompetente que escolhia roupas que sempre mostravam a minha barriga! E agora eu me vingaria, agora eu arrancaria seus olhos e o faria comê-los. Eu ia chutar a bunda dele até meu pé quebrar, eu ia... eu ia... Enfim, eu fiz:

- Mas... Por quê?
- Por que o quê?
- Por que você zoa com minha vida?
- Eu? Tá doido?
- Claro que não. Você vive fazendo as coisas darem errado pra mim!
- Você tá é maluco. Eu sempre tento fazer o que você quer... Peraí, vamos sentar ali no boteco e conversamos melhor. O que você vai querer?
- Me diz você. É você que controla minha vida...
- Engraçadinho... GARÇON, DUAS CERVEJAS. Seguinte, eu controlo a sua vida, mas só faço o que você quer.
- É? E como você sabe o que eu quero?
- Peraí, as cervejas chegaram. Vamos fazer um brinde.
- Ao seu tombo!
- À sua vida!
- Rrrrrr
- Você começou... Voltando. Eu sei o que você quer porque eu sei. É simples assim, não dá pra explicar melhor.
- Se é assim, porque você me fez vomitar naquela festa em 94 e deixar de sair com a mais gata que tinha lá, hein?
- Eu não fiz você vomitar, você que bebeu demais! Além disso, você só a achava gata antes de conversar com ela. Depois que conversou, achou ela a menina mais insuportável do mundo. Foi por isso que você começou a beber, pra agüentar as historinhas dela, lembra?
- Ah é, verdade. Então tá. E aquele trampo maravilhoso nos EUA, hein? Porque você me fez perdê-lo.
- Você perdeu porque ainda não tinha estudado inglês (sem falar que você tava com medo de ir pra tão longe e ficar sozinho, lembra?). Quanto ao inglês, você ainda não tinha aprendido porque foi deixando, foi deixando, foi deixando e, quando precisou, não deu mais tempo.
- Hum... Tá, isso passa. A faculdade, porque eu demorei tanto pra terminar?
- Porque você dava desculpa pra não fazer. Uma hora não tinha tempo, outra não tinha dinheiro, outra blá blá blá blá. Foi enrolando até que ficou difícil de verdade. Mas demorou por sua própria culpa. Eu só te mandava pra onde você escolhia ir...
- E o ônibus que eu perdi hoje, hein?
- Bom, esse que você perdeu é do horário anterior. Ele está uns 40 minutos atrasados, você sabe disso! Mas se você tivesse acordado no horário que programamos ontem, teria pegado esse. Mas NÃO, resolveu dormir mais 10 minutos! E não me culpe! Eu gosto de dormir tanto quanto você...
- Eu acho que você tá é me enrolando!
- Olha bem pra minha cara: você acha que eu ia enganar VOCÊ!

E foi aí que eu olhei. Dei um pulo da cadeira e derrubei o copo de cerveja com o susto. Ele ainda estava um pouco sujo da queda e tinha um caroço na cabeça, mas usava roupas iguais às minhas, tinha uma barriga igual à minha, cabelos iguais aos meus, olhos iguais aos meus, mãos iguais às minhas e até a voz era igual a minha! Parecia que eu estava olhando no espelho, só que o espelho não estava imitando meus movimentos!!!

- Mas... Mas... Você é igual a mim!
- Não, eu SOU você. Ou melhor, nós somos você! Ah! Sei lá, já tentei entender isso direito, mas não consigo.
- Quer dizer que... Hã... Quer dizer que...
- Tá, pára, respira e pensa. Sim, eu controlo sua vida. Mas eu sou você, então você controla sua vida, entendeu?
- Não.
- Nem eu...
- Se VOCÊ controla minha vida - ou seria EU controlo minha vida? - então não há destino?
- Talvez haja. Ele talvez dê uns pitacos pra onde eu devo te levar, mas normalmente eu não estou prestando atenção. Você sabe que nós somos cabeça-dura e não gostamos de fazer o que os outros mandam, né?
- É... Mas e não tem mais ninguém que fica comandando minha... digo... nossa vida?
- Ah! Deve ter. Talvez Deus, Alá, ou sei lá. Mas eles nunca falaram diretamente conosco, né? Ou, se falaram, nós não ouvimos.
- Quer dizer que não tem ninguém além de mim me controlando?
- Tem eu, mas eu sou você, então não.
- Eu não posso culpar mais ninguém se algo não der certo na minha vida?
- Bom, tem a sorte, o tal do destino, talvez alguém mais. Mas normalmente a culpa é nossa mesmo.
- Eu poderia te dar uma surra para pelo menos para aliviar a raiva.
- Até poderia. Mas eu sou tão forte quanto você. E vai ser como você bater em você mesmo...
- É. Melhor deixar pra lá. Seguinte, tenho que ir pro trabalho. Volta lá pra cima que eu preciso andar rápido. Mas antes, paga a conta.
- Tá bom. O dinheiro vai sair da nossa carteira mesmo...