sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A verdade sobre Araras - Parte 2/∞
Nós temos a força

Aviso: Para evitar desgastes desnecessários, não vamos mais colocar as mensagens subliminares a partir da parte 2. Portanto, assim que terminar de ler cada artido da série "A verdade sobre Araras", repita mentalmente o mantra subliminar do esquecimento, conforme apresentado na parte 1. E lembre-se, se você não o fizer, nós saberemos...

Uma parte importante da cultura ararense é a pré-disposição para violência. Isso não quer dizer que nós Ararenses somos violentos a todo momento, nós controlamos nossos impulsos. Mas também conseguimos destruir tudo, em nível celular, caso seja esse nosso desejo ou necessidade. Mas essa facilidade para violência infinita e controle total não vêm de graça. Ela está enraizada na genética e cultura ararense e é explorada desde a educação fundamental, lá no berçário.

Para você ter uma idéia, uma criança ararense de 10 anos que faz um estudo que NÃO seja focado em artes marciais é equivalente a alguém que tenha quinto dan (ou o equivalente) em karatê, kung fu, capoeira, tae kwon do e mais 9 artes marciais ainda não descobertas pela humanidade. Uma criança da mesma idade com estudo focado em artes marciais (que, para nós, engloba armamento de destruição em massa e extermínio universal) seria equivalente a uma bomba atômica de 2 megatons.

Reza uma lenda que Chuck Norris conseguiu participar de nosso programa de treinamento da humanidade. Era um programa que visava adaptar um ser humano normal ao estilo de vida ararense (ou o mais próximo disso). Dizem que ele resistiu bravamente ao treinamento dado no berçário e quase terminou o treinamento dado no primário. Ao chegar no 7º ano, ele pediu água e sumiu. Ainda assim, é só ver as "100 verdades indubitáveis de Chuck Norris" pra ver o quanto ele evoluiu nesse pequeno tempo. Mas, francamente, pelo que eu sei do Chuck, acho que isso tudo é lenda. Ele não passaria nem do 2º ano...

Há cerca de 1 mês utilizaram alguns computadores avançados (calma, daqui a uns 3 mil anos vocês vão saber o que "avançado" significa) para fazer algumas análises de a adaptabilidade de um ser humano normal ao estilo de vida ararense. Abaixo o resultado:
  • Rambo: Resistiria ao berçário, mas não passaria do 4º ano do primário;
  • Bush (pai ou filho): Apanharia dos bebês e sairia chorando do berçário;
  • Capitão Nascimento: Chegaria bem perto de terminar o 8º ano do primário, mas assim que se achasse o maioral, ia querer mandar na classe e ia tomar um pau da molecada;
  • Hitler: Iria entender o que deu errado no plano dele, mas depois tomaria um pau da molecada;
  • John Matrix (Schwarzenegger no filme Comando para Matar): Quando ele apontasse pro braço esquerdo e dissesse "Esse é meu braço mais fraco", teria ambos os braços amputados, antes de tomar uma sova da molecada.
  • Neo (Matrix): Nem o bullet time ia salvar ele de tomar um coro tão grande da molecada... E apanharia ele, os amigos, os agentes e o arquiteto!
Então, se um dia pensar em desafiar um ararense, esteja preparado para viver em um novo universo... E agora faça o favor de começar a fazer o que eu mandei lá no começo do texto!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A verdade sobre Araras - Parte 1/∞

Aviso: Se você não sabe o que significa "∞", pare de ler o texto AGORA! Aquilo é o símbolo de infinito, seu cretino!

Para todos os efeitos, Araras é uma cidadezinha no interior de São Paulo, com pouco mais de 100 mil habitantes. Mas isso é o que eles, ou melhor, nós queremos que vocês pensem! Através de mensagens subliminares (se não sabe o que é isso, compra um dicionário que eu não estou aqui pra cuidar de idiota), hipnose, e-mails ameaçadores e apresentações de um cachorro bailarino que fala espanhol, conseguimos disseminar a idéia de uma cidade inofensiva quando Araras é, na verdade, um conjunto de seres altamente avançados que, como um titeriteiro, rege esse mundo (e esse universo) sem ser notado. Essa série de artigos, divididos em infinitas partes (acredite, em Araras nós conseguimos contar até infinito), vai desbravar todas as verdades. Infelizmente para você, o texto conterá vários trechos de mensagens subliminares que te farão esquecer tudo que leu. Eu só estou avisando porque uma das coisas que nós Ararenses gostamos de fazer é atormentar vocês, seres inferiores.

Esqueça tudo que leu aqui, esqueça tudo que leu aqui, esqueça tudo que leu aqui (repita isso mentalmente 1.203 vezes)

E a primeira verdade sobre Araras é que nós sabemos contar! (Se você está pensando que a primeira é que Araras não é o que parece, bem... essa é a verdade 0; como eu disse, NÓS sabemos contar) Sabemos contar, de verdade. Não é essa coisinha de 1 a 1 trilhão que vocês chamam de contar. Nós conseguimos contar até o infinito, várias vezes. E não só contar até o infinito, nós fazemos várias coisas com ele. Somamos, subtraímos, dividimos, multiplicamos e, pasmem, jogamos bola com o infinito. Ele é zagueirão, porque é grosso demais, mas é gente boa.

Esqueça tudo que leu aqui, esqueça tudo que leu aqui, esqueça tudo que leu aqui (se não lembra quantas vezes repetir mentalmente, volte um pouco o texto)

Essa nossa capacidade avançada de contar acaba afetando nossa maneira de aprender e usar a matemática. Em Araras, derivada e integral são calculadas com exatidão (!) por crianças de até 9 anos (desde que elas sejam retardadas, porque Ararenses normais de 7 anos são capazes de fazer isso sem problemas). Uma criança com o primeiro grau completo em Araras tem estudo matemático equivalente a uma pessoa com 3 doutorados (em cursos como engenharia mecânica, engenharia civil, física quântica, matemática, estudo de extraterrestres e afins), 2 prêmios Nobel e a capacidade de calcular a raiz cúbica de qualquer número entre 1 e infinito de cabeça enquanto chupa chiclete, empina pipa e monta um quebra-cabeça de 5 mil peças.

Esqueça tudo que leu aqui, blá blá blá blá blá

Mas aí vocês perguntam "Mas se vocês são tão bons com números, porque não investem na bolsa e não ficam milionários?" Aí eu respondo: ô cretino, nós SOMOS milionários. Na verdade, somos infinitionários (vocês não vão entender quanto é isso, não sabem contar direito...). Nesse momento estamos fazendo alguns testes com humanos de laboratório (nossa versão de rato de laboratório) para tentar melhorar a capacidade de vocês de contar. Infelizmente, quando um humano chega à metade do infinito, uma gosma branca começa a vazar do ouvido e ele começa a falar coisas sem sentido. Não, isso é totalmente normal, todos vocês fazem isso. O que vocês não fazem, não com freqüência, é se recusar a respirar. Então o mais longe que um de vocês já chegou foi ficar alguns minutos depois de passar pela metade do infinito. Como já percebemos nesses e em outros testes, alguns minutos é o máximo que vocês conseguem ficar se recusando a respirar. Depois vocês não recusam mais nada, nem um caixão fechado e sete palmos de terra sobre o caixão...

Mas as pesquisas continuam e um dia, quem sabe, conseguiremos admitir um ser humano normal no primário de Araras. Ele vai sofrer um pouco com a educação física, mas isso é outra história...

Se você chegou até aqui, esqueceu tudo que está acima. Te desafio a ler de novo e a não esquecer! Mas fique avisado: nossas mensagens de apagamento de memória podem atingir outras áreas da sua mentezinha e você vai acabar esquecendo tudo. Pensando bem, com essa sua vidinha mediocre, isso seria uma bênção!

Eu também quero o meu dia!

Ontem, dia 20 de novembro, foi dia da Consciência Negra. Também tem o 13 de maio, outro dia pra nos lembrar da escravidão, da abolição e de como a raça negra foi massacrada pela branca. Também tem o dia do orgulho gay, porque quem é gay tem que ter orgulho de ser gay. E quem não é, tem que respeitar. Tem o dia do índio, temos que respeitar os índios, respeitar suas crenças, suas diferenças. Eu acho muito bom esses dias. A única coisa que não entendo é o discurso de uns e outros pedindo igualdade. Ué, não era pra respeitar as diferenças? Não tem um dia especial pra cada um? Então não é igual, certo? Ou é? É tão confuso...

Aproveitando a deixa, quero fazer uma reivindicação: nós, gordinhos, desajeitados e usuários de óculos queremos o nosso dia! Se você, como eu, também é nerd, a coisa piora. Tem alguma minoria que foi mais perseguida, desde que o mundo é mundo, que os nerds desajeitados gordos e quatro-olhos? Eu D-U-V-I-D-O! Nós somos maltratados na escola, desprezados pelos nossos amigos e pelas mulheres durante a adolescência. Somos tratados como idiotas mesmo quando nosso QI é alto. Se formos meio burrinhos, pior ainda. Nerd, gordo, desajeitado, quatro-olhos e burro! Meu Deus, cadê o nosso dia??? Eu quero ter orgulho de ser quatro-olhos, quero ser respeitado por ser nerd e homenageado por ser desajeitado. Eu quero a minha igualdade, JÁ!

Eu quero inclusão social, quero uma passeata pra mim e quero entrevistas de desajeitados famosos. Quero comentários nas rádios, anúncios em revistas e reportagens em jornais. Quero desconto no cinema, ônibus de graça e um auxílio-otário, pra que eu possa fazer minha compra mesmo sem trabalhar! Mas, se não der pra ter tudo isso, dá pra todo mundo parar de ser panaca e realmente tratar-se como iguais? Mas sempre respeitando as diferenças, claro...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pelas rotatórias da vida ararense

Um assunto particularmente comum para motoristas da minha cidade, Araras, são as rotatórias. Não consigo precisar a data, mas há cerca de 7 anos as rotatórias começaram a aparecer espontaneamente por lá. Se você ligar na prefeitura e reclamar que um cruzamento é mal sinalizado, pode apostar: em 1 mês tem uma rotatória nova no lugar! O semáforo queimou? Rotatória nova. Tem uma escola e temos que proteger as crianças? Mais uma rotatória, por favor. A sorveteria faliu? Bota uma rotatória no lugar. Se nosso prefeito (ou o responsável pelas obras na prefeitura) fosse presidente dos EUA, pode apostar que ele teria construído uma rotatória no Iraque para acabar com a "Guerra contra o Terror".

Eu, como cidadão padrão (insatisfeito, mas que aceita qualquer coisa depois de falar mal de alguém e tomar uma gelada), achava a idéia da rotatória um tanto quanto... digamos... idiota. Não conseguia ver motivo nenhum para construir tantas rotatórias assim - tem algum outro lugar com 3 rotatórias, na mesma rua, em menos de 200 metros?. Elas são caras, às vezes atrapalham o fluxo do tráfego e, quando mal planejadas, não resolvem o problema existente - principalmente quando ela está totalmente fora do centro da rua, como é o caso de algumas que parecem uma praça paralela à rua, não uma rotatória.

Mas enfim, a população de rotatórias cresce na mesma taxa que coelhos, mas infelizmente ninguém as caça pra comer ou fazer casacos. Esse crescimento estonteante acabou por me forçar a reparar melhor nelas e pelo menos tentar entender o motivo delas existirem. Pois acabei tendo a grata surpresa ao entender que elas tinham uma outra finalidade muito mais nobre: estética! Não é a estética narcisista e vazia que vocês estão imaginando. Elas têm a função de, ao agradarem a vista, amenizar as dificuldades da vida, diminuir o stress, tornar a vida do cidadão mais feliz. Olhar para uma rotatória em Araras têm o mesmo efeito que entrar em uma esposição de quadros do Monet! E, se você está olhando para as rotatórias fora de centro, advinhem! É o mesmo que olhar um Picasso! Quem mais pode dizer que tem Monets e Picassos espalhados pela cidade?

Vocês, que não são de Araras, têm duas saídas. Passeiem por aqui no final de semana, ou tenham uma vida bem menos feliz que a nossa. Porque, se não estamos felizes, com esse monte de rotatória e o União na terceira divisão, porque é que rimos tanto?

Obs: Enquanto você lia esse artigo, 3 novas rotatórias foram construídas em Araras.